Guia

Do extrato bancário ao lançamento contábil, sem digitar

O banco já entrega o extrato digitado. Mesmo assim, em muito escritório alguém redigita tudo — porque o trabalho de verdade não é copiar números, é decidir a contrapartida de cada linha. Este guia separa as duas coisas e mostra o que dá para automatizar em cada uma.

1. Ler o extrato

São dois mundos, e eles pedem soluções diferentes.

OFX: o formato feito para isto

É o arquivo que o próprio banco gera para contabilidade. Traz data, valor, sentido e histórico já separados, e resolve o problema da leitura por completo. Se o seu cliente consegue baixar OFX, use OFX — é sempre melhor que o PDF.

Uma ressalva que pega quem lê OFX por conta própria: o cabeçalho mente sobre a codificação. Dos extratos com acento que passaram pelo nosso acervo, 25 declaravam um padrão e estavam em outro — e quem confia na declaração transforma COMPRA NO DÉBITO em COMPRA NO DÉBITO, e leva isso para o razão.

PDF: papel, e cada banco imprime do seu jeito

Não há padrão. Há banco que imprime débito e crédito em colunas separadas, banco que põe o sinal depois do número (976,00-), banco que quebra a descrição em três linhas e banco que só escreve a data no cabeçalho do dia.

Ler PDF exige uma receita por layout — e exige conferir, porque um PDF lido pela metade é pior que um PDF não lido: o arquivo sai bonito, e a diferença aparece semanas depois.

A conferência que pega o erro silencioso. O saldo impresso no extrato tem que andar exatamente o valor de cada lançamento, linha por linha. Se uma linha se perdeu na leitura, a corrente arrebenta no ponto exato — e essa é a única checagem que percebe lançamento faltando, que não aparece em lugar nenhum.

2. Decidir a contrapartida

Aqui mora o tempo. O extrato diz que saíram R$ 3.800,00 e que o histórico é PAGAMENTO ALUGUEL DA LOJA. Qual conta recebe isso? A resposta está no plano de contas daquele cliente — e ela se repete todo mês.

O mesmo fornecedor, escrito de dez maneiras

É o que impede uma regra simples de resolver. O mesmo cliente aparece assim, no mesmo extrato, em meses diferentes:

PIX RECEBIDO DE L J GUERRA & CIA LTDA
PIX RECEBIDO CP 60746948-L.J. GUERRA E CIA
TED-TRANSF ELET DISPON REMET.L J GUERRA CIA LTDA
LIQUIDACAO DE COBRANCA - VALOR DISPONIVEL LJ GUERRA

Escrever uma regra para cada redação é trabalho sem fim — o banco inventa outra no mês seguinte. O que funciona é memória: guardar a decisão que o escritório já tomou e reconhecê-la mesmo quando o texto muda, por CNPJ, pelo nome limpo, pelo nome contido dentro da razão social.

Três fontes, nesta ordem

  1. A regra que alguém escreveu — é a pessoa falando, e manda.
  2. A memória do escritório: o que já foi classificado e gravado antes.
  3. O plano de contas, quando o nome da conta aparece no histórico.

Medido no acervo de um escritório real, a memória opina em 86% dos lançamentos e acerta 96% do que opina. Ela enche sozinha, com o uso.

3. O que a automação não deve fazer

Este é o ponto que separa uma ferramenta útil de uma perigosa: conta errada o sistema contábil importa sem reclamar. Não há mensagem de erro, não há recusa — o lançamento entra na conta errada e vira problema no balancete, semanas depois.

Por isso três decisões valem mais que qualquer taxa de acerto:

4. Gerar o arquivo

O último passo é o formato que o seu sistema contábil importa. Cada um tem o seu, e a diferença entre eles costuma ser um detalhe que não perdoa — separador, decimal, ordem dos campos. No caso do Domínio, por exemplo, um ponto de milhar a mais faz o sistema recusar o arquivo inteiro.

Antes de gravar, vale conferir duas coisas que o próprio arquivo permite: se débito bate com crédito e se toda conta existe no plano daquele cliente. As duas evitam uma ida e volta com o cliente no fim do mês.

O Monettare faz esse caminho inteiro. Lê o extrato, propõe a contrapartida dizendo de onde tirou cada palpite, e gera o arquivo do seu sistema contábil — com você conferindo no meio.

Ver funcionando em 20 minutos

Veja também: os bancos que o Monettare lê · o arquivo de importação do Domínio